segunda-feira, dezembro 20, 2010
Tati Bernardi
História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam.
Uma história pra adultos, escrita por crianças. Você sem saber viver de tantas vidas por aí, eu sem conseguir viver porque virei sua hospedeira.
Quis sugar sua vida perdida, e me perdi.
Incapaz de me sentir por medo de ser inteira, saio sentindo e sendo os outros. Quis ser você inteiro, morar aí dentro, bombear e mandar nas suas veias.
Mas você é tão livre, tão acima do chão. Tão acima de minha cabeça. Da minha cabeça que está aos seus pés.
Sinto o arrepio frio nas costas da bandeja de vidro que eu trouxe pra você.
Nela estou deitada, entregue. Mas tudo isso pode se quebrar a qualquer momento. A reconstrução eterna dos meus sonhos que já nascem fragmentados para que eu possa engolir tudo aos poucos.
Mas de nada adianta, estou eu aqui de novo, mas mais uma vez tão única e surpresa, engasgada até onde se pode sentir falta de ar.
Engasgada de você ir embora, engasgada de você voltar. Engasgada de você sempre sorrir.
Você não passou pelos meus buracos e eu não consegui te entender no quentinho seguro do meu ventre. Você travou todas as minhas entradas, você me incha por dentro e eu nem sei se vale a pena explodir porque você é surdo e cego.
De que vale eu deixar de existir se você não me percebe?
Sigo inchada, sigo cheia de coisas para cuspir em você, sigo pontuada por esses batimentos cardíacos que descem quando te vejo.
Poesia sem rima porque não somos bregas e a vida sem sentidos e sem encaixe é a loucura que une nossas doenças. Estrofes com métrica, porque sabemos exatamente o que queremos, apenas não rimamos para que não exista cumplicidade.
Uma história começada como a necessidade obscena e idiota de coçar o saco. E terminada pela saciedade obscena e idiota de o saco já ter sido coçado.
Tudo tão simples como expelir algo fisiológico. E eu me sentindo uma merda mesmo.
Ditado de três palavras para você: gostosa, fácil, comer. Narração de sujeito oculto para mim: meus sentimentos escondidos até o fim.
Uma redação com margem, tamanho e estilo impostos para você. Um diário sem limites para mim.
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta.
E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias, para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo."
terça-feira, dezembro 07, 2010

sábado, dezembro 04, 2010

quinta-feira, dezembro 02, 2010
mais que tudo
Noite & Dia
quarta-feira, novembro 10, 2010

São palavras jogadas ao ar que viram incógnitas para mim, antes mesmo de descobrir o significado delas meu coração já dispara, perco o controle de mim mesmo e imagino milhares de coisas que não me fazem bem. Já não faço a menor idéia se quero explicações pra elas, ou se apenas continuo me molestando aos poucos...

terça-feira, novembro 09, 2010
Need you now

quinta-feira, novembro 04, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
Saudade
Apnéia
... e é quando esvazio meus pulmões que teu nome vem à minha cabeça. Mas seria muito fácil desviar meu corpo dessas poucas letras. Difícil é, a cada minuto, esbarrar em memórias, tropeçar em fotos e até, ás vezes, prender-me às histórias, por livre e espontânea vontade. Abrir os braços e alçar vôo é muito mais doloroso quando eles ainda estão unidos por algemas. Descobri-me assim em pleno vôo livre rumo ao chão, quando meu relógio já marcava "tarde demais". ... e é quando eu encho novamente meus pulmões que eu percebo que teu nome permanece escrito em mim.
É só fechar meus olhos e te ver escrita em minhas pálpebras.
Dream

Sonhar com um café da manha na cama, com uma tarde linda no parque, uma casa na praia, uns filhos lindos correndo, um carro na garagem uma casa bonita, sonhar em ser feliz com a pessoa que ama, são apenas sonhos? Ou realmente uma pessoa dessas existe para tornar eles reais? Esperar por alguém tornar quando você mesmo pode, mas você pode tornar isso só? Porque chega até dar um desanimo parece que ninguém esta nem ai para seus sonhos, ou que não existe ninguém capaz de tornalos reais junto a ti, são apenas pessoas sem crer, apenas pessoas sem ao menos saber o que é amar, são pessoas que nos enganam e nos machucam com falsas juras de amor, são pessoas que alimentam os nossos sonhos, mas depois pula fora, isso aos poucos acabam com a nossa força, os sonhos não são tão mais bonitos quanto ante, quando você coloca sua cabeça no travesseiro luta mil vezes pra não sonhar acordada, exatamente você tenta ficar acorda pra realidade. Mas muitas das vezes a pessoa ao seu lado com o mesmo sonho, pessoa que você nunca deu muita razão, pessoa que você pode até ter machucado com falsas juras, pessoa que você fez tudo aquilo que fizeram com você, mas a pessoa continuou ali, e sabe por quê? Porque ela tem um lindo sonho, porque as quedas a tornam cada vez mais forte, e o sonho cada vez mais perto, porque ela que lutar por eles, então comece a abrir os olhos, às vezes a pessoa para tornar seus sonhos reais esta ai, do seu lado, sempre esteve, e sempre estará.
Sonho

Sonho: Conjunto de ideias e de imagens que se apresentam ao espírito durante o sono. Utopia; imaginação sem fundamento; fantasia; devaneio; ilusão; felicidade; que dura pouco; esperanças vãs; ideias quiméricas.
sábado, outubro 16, 2010
O primeiro

A verdade é só uma: as pessoas especiais para nós serão especiais para sempre. Se você as ama hoje, amará a kilômetros de distância, a anos de distância, a vidas de distância. E não importa quem passará na sua vida, ninguém é substituído, e sim adicionado. Você vai encontrar novos amores, vai se apaixonar por vezes, mas o primeiro amor... será sempre aquele. E você não vai livrar-se dele. E é assim que funciona a dor, ela não é curada nem esquecida... apenas não é lembrada. Então você abre as gavetas e deixa que ela fique ali, trancada. Mas se abre, verá que lá estarão as lembranças. Entenderá então que, aquilo tudo transformou-se em lembrança e que nem dói tanto assim. Vai perceber que todos os momentos brilhantes, felizes, mágicos têm seu fim. E que você precisa ser forte o bastante para superá-los e para levar deles o melhor. Depois, você entende que aquele era apenas seu primeiro amor, mas não era só um primeiro amor. E que depois daquela dor, virão outras, e cada vez mais você cria espécies de anticorpos, e torna-se mais forte. Você nunca chorou tanto quanto da primeira vez, nunca sentiu-se tão sozinho como da primeira vez. Sabe porquê? Você aprendeu que depois de tudo, você continuará vivo e que a tristeza faz parte. Sabe a sensação de impotência, de que você não pode fazer mais nada senão acenar e dar um quase sorriso?! "Às vezes só o que podemos fazer é abraçar mais uma vez uma pessoa e então deixar que ela vá." Mas esse momento é extremamente necessário, você precisa chorar, sofrer, despedir-se. Para poder sorrir, ser feliz, e reencontrar, mas agora... superado e com o amor numa gavetinha.
"Não é algo que vai curar rápido. É muito mais complicado. Não existem remédios para corações partidos, o receitável é deixar essa ferida aberta, até ela cicatrizar. Depois de um tempo, você ainda vai lembrar dessa ferida que rasgou fundo o teu peito. Mas vai saber também, que foi apenas uma página do capítulo passado. E que o capítulo que você está agora.. ah, esse sim é o mais interessante. "
terça-feira, outubro 05, 2010
Ilusão

Acordei hoje achando que você poderia me esperar no portão da escola sem nada nas mãos, de braços soltos, prontos para o melhor abraço que eu receberia na vida, mas não. Pior que saber que ele não te ama, é a incerteza do sim e não. Ama? Se for amor é bem escasso, bem raro, aquelas últimas gotas que escorrem pelo ralo. Pior que não receber um abraço esperado, é ver tantos outros se abraçando felizes sem que você participe. Veja bem, não é inveja, é o desejo incontrolável de que esteja aqui comigo. Uma amiga disse ontem que estaria longe de se ver apaixonada, e que Gostar de alguém já é muito para ela. Algumas pessoas são mesmo assim, e eu não. Você deve ser, não deve? Eu decidi que darei um tempo em todas as minhas tagarelices sobre amor, para ver se você aparece apaixonado por mim e com saudade do meu conversar de lábios fechados. Queria mesmo que sentisse saudades sem eu precisar perguntar se realmente sentiu. Queria que viesse aqui e se jogasse no chão com meus cachorrinhos como se fossem crianças brincando de qualquer bobagem essencial. Queria que fosse tão família quanto eu (a parte que você ainda não viu, porque faltam oportunidades). Esse seu misto de vergonha e medo de enfrentar o novo me faz pensar que não há amor suficiente para haver coragem também. Eu espero, eu espero sem reclamar. Você não me ouvirá dizendo que não está bom assim, porque mesmo que seja pouco o tamanho do seu Gostar por mim, eu me contento. Já é alguma coisa não é? Não estou me humilhando, apenas estou sendo paciente demais, uma atitude ridiculamente apaixonada de quem espera provas mínimas de amor, como uma surpresa no fim do dia. Não precisa ter dúvidas sobre o meu amor por ti, mas queria que dissesse, sem as três secas palavras, que já viraram espirro "eu te amo, eu te amo, eu te amo"... que eu sou tão importante na sua vida, e que queria levar mesmo isso tudo a sério, para além desse ano, do ano que vem, da década que vem. Para além da vida, para além do amor. Mas você não topa, topa? É, dúvida cruel. Eu saio dessas palavras de amor e entro num mundo de silêncio... para ver se escuto a sua voz. A sua voz que não me chama. Temporariamente fora do ar, me encontre?"
Living in a fantasy

quarta-feira, setembro 29, 2010
stop hurting me

Um vazio, sem ao menos saber o que esta sentindo,
sábado, setembro 25, 2010
o que for pra ser vigora
a certeza da incerteza
segunda-feira, setembro 06, 2010
tem um nome?

Essa escuridão tem um nome? Essa crueldade, esse ódio, como ele nos encontrou? Ela se meteu em nossas vidas, ou nós a procuramos e à abraçamos? O que aconteceu conosco? Que agora mandamos nossos filhos para o mundo, como mandamos jovens para a guerra. Esperando que voltem a salvo, mas sabendo que alguns deles se perderão no caminho. Quando perdemos o nosso caminho? Consumidos pelas sombras, engolidos completamente pela escuridão. Essa escuridão tem um nome?
segunda-feira, agosto 23, 2010
Caio Fernando Abreu
Neurose

quinta-feira, agosto 19, 2010
apenas lembrança

Eu não sei ao certo sobre o que quero dizer, mas vou tentar descobrir.

terça-feira, agosto 17, 2010
Sou mulher solta

sábado, agosto 14, 2010
você me entorpeceu

e desapareceu.
segunda-feira, agosto 09, 2010
Você já se perguntou...
terça-feira, agosto 03, 2010
De repente..

Você se sente cansado de tanto aprender quando, na verdade, você está é cansado de estar rodeando de gente que não aprendeu porra nenhuma. Não te preocupa. Todos aprendem, cada um a seu tempo. O problema é que alguns demoram tanto que acabam morrendo antes da primeira aula. Talvez você tenha aprendido mais que eu, ou até menos, ou então aprendido coisas diferentes, ou matado todas as tuas aulas mais importantes. Não sei mesmo, mas minha única certeza é que eu não concordo com uma vírgula do que você diz.
segunda-feira, agosto 02, 2010
é bem por aí,
terça-feira, julho 27, 2010
Best Friend

sexta-feira, julho 23, 2010
Saudade

Me foi pedido o número do telefone. Quem me ligaria seria a dona de uma voz já conhecida, mas que há muito não ouvia. O telefone tocou e, antes que vibrasse pela segunda vez, saquei-o. Lá estava eu, do alto dos meus vintesseis, perdendo totalmente o controle, de novo.
Será que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que é mais racional do que permitir que essa emoção guie cada um dos nossos passos? Às vezes são tão altas as vozes de fora, que a gente acaba não ouvindo o peito gritando. O meu peito é que gritou alto demais, calando as vozes de fora. Epifania. Compreensão súbita. Era como se estivesse tua imagem estampada em tudo que vejo. E aquela presença permanente no meu pensamento me fez percorrer a extenuante e perigosa trilha que me leva de encontro a ti.
Será que existe burrice maior do que saber todas as respostas? E sabedoria maior que a sabedoria de se deixar enganar? A gente pensa que, com o passar do tempo, aprendemos a pular as rasteiras que nos são passadas. Digo, por experiência própria, que existem tombos que eu adoraria tomar de novo. Me via novamente ansioso. Tão ansioso que passei a olhar pros lados, sempre achando ser a tua voz qualquer ruído que me atingisse os tímpanos. As vezes em que acertei são minoria, mas eu aprendi demais, justamente por errar demais.
Os minutos que a gente tem juntos viram dias e semanas em câmera lenta, dentro da minha cabeça, toda vez que o elevador desce contigo dentro. Meu coração está vazio, sem mobília. Mas tudo que eu preciso agora é de espaço pra te construir dentro do meu peito, com as poucas peças que tenho em mãos.
Com quem estou ao telefone? Com a saudade, que há muito não vejo. Ela está chegando, e não parece ter planos de ir embora tão cedo. Eu aguento. Basta que feche os meus olhos e dê play numas poucas horas de filme, e uma mísera foto sem resolução no meu celular. Cá estou eu, do alto do meu sexto andar, perdendo o controle, de novo.
Tudo acontecia devagar. Tudo que ela fazia parecia, aos meus olhos, acontecer em câmera lenta. Como se fizéssemos amor debaixo d’água.
Nada mudou: continua tudo mudando a todo minuto.
my will to you

Só hoje

quarta-feira, julho 21, 2010


Recomeçar... eu só precisava de um momento meu pra colocar todas as idéias no lugar e talvez até chegar a uma conclusão, enquanto eu me mato bolando planos o resto do mundo vive, pra que planejar tanto as coisas simplesmente acontecem, pessoas novas aparecem, sentimentos novos surgem, momentos viram apenas lembranças, e assim vou vivendo, renovando a cada dia que passa, me arriscando, me permitindo, vivendo!
domingo, junho 27, 2010
Desejos insaciáveis, vontades impossíveis de ser negadas, olhares constantes, fui tudo tão rápido mas tão desejado por tanto tempo, eu tinha me esquecido de como era bom te sentir por perto, foram apenas alguns minutos mas com apenas sentir ter corpo e escutar suas doces palavras que tudo aquilo que achei q tinha perdido voltou tão mais incontrolável que antes.
Cadê aqueles pensamentos meus, cadê tudo aquilo que achei que tinha construído com o tempo cadê a minha proteção, você foi capaz de levar tudo embora outra vez, cadê você? Foi embora e deixo apenas as lembranças e os desejos.
quinta-feira, junho 24, 2010

São várias as teorias e elas vêm de todo lugar, mas só uma realmente vale alguma coisa - a minha. O problema é que eu não fico o dia inteiro bolando teorias sobre o meu funcionamento. Eu não tento fundar minhas atitudes em algum padrão de comportamento ou cartilha. Eu simplesmente vou lá e faço. Eu simplesmente fico aqui e digo. Sento-me na frente do PC e escrevo. E ñ há 1 padrão. Não é 1 capricho consciente, essa minha inconstância. Eu realmente gostaria de fazer sentido. Consigo ver perfeitamente o estranhamento que causo em algumas pessoas. Essa intensidade desmedida choca, e gera dúvidas acerca da autenticidade de tudo que eu sinto. Mas eu sinto. E sinto muito, tanto que chega a parecer que é mentira, encenação, que eu não sinto absolutamente nada. É como um vício. Como se eu estivesse sempre procurando um motivo pra sair da normalidade, do stand by, pra transcender a vida comum e os sentimentos amenos. É como se eu me forçasse a apaixonar-me toda semana, e sempre por um novo alguém. Eu chego ao cúmulo de quase-inventar histórias, quando encontro dificuldade em vivê-las de verdade. Mas eu as invento de forma tão convincente que a maioria delas se transcreve na minha vida, nos meus dias. Eu realmente gostaria de ser compreendido. Isso me leva a concluir que somos realmente capazes de viver as histórias que inventamos. Mas não como o lunático que crê ser Napoleão Bonaparte. É que com alguma insistência, um pouco de prática e um punhado de sorte, eu fui capaz de te trazer pra minha história, que acabei de começar a escrever. Vc nem sabe qe faz parte dela, qe age conforme regem as linhas qe eu escrevo, mas vc já foi escalada pro seu papel, e ele é de protagonista Eu realmente gostaria que você acreditasse em mim.Cabe a mim viver essa história, de forma tão fiel que mentira e verdade se fundam em uma narrativa com início, meio, e um fim. Cujo decreto cabe à minha caneta. Cabe a você deixar-se ser escrita, e eu tenho muita coisa pra contar. E não precisa dizer que isso não faz sentido, que eu estou enlouquecendo. Eu sei muito bem disso. Sei que os diagnósticos possíveis são muitos e que os prováveis são alguns, mas meu médico sou eu mesmo e eu acabo de receber alta. Eu realmente gostaria. É chegado o dia em que a gente faz um monte de coisas pela última vez, e outras pela primeira. A gente promete deixar de fazer isso, passar a fazer aquilo, mudar, mudar, e mudar de novo. No entanto, esse ano eu vou tentar diferente. O que eu quero agora é dar continuidade. Eu quero tudo que eu já tenho, só que em quantidades maiores, muito maiores. Será que é pedir demais? É chegado o dia em que a gente vai parar de fazer as coisas pela metade, para fazê-las de verdade. Não mais direi meias-palavras, muito menos acreditarei em meias-verdades. Eu quero a verdade por inteiro, e quero qe ela seja dolorida, se tiver qe ser, ou prazeirosa, ou como eu bem quiser - mas qe seja de verdade Eu quero conhecer as pessoas por completo, ir além da casca e, em suas almas, encontrar as ferramentas para curar as feridas da minha. Para que isso aconteça, vou me relacionar além da superfície, e ver que há algo por detrás dos olhos, e que o abraço não traz apenas calor. Que risquem dos dicionários a solidão. Quero conseguir ouvir mais do que palavras e arrancar sorrisos que contenham mais do que dentes e gengivas. Eu quero sorrisos nos olhos. Quero que o choro seja mais do que simples murmúrio e que as risadas me tragam a paz que eu preciso.Digo isso pois tenho certeza de que a alegria vai ser intensa, e as felicidades não caberão em mim. Forçando-me a dividi-la com todos que fazem questão de viver ao meu redor. E que o amor arrebate. E que seja forte, contagioso e incurável.
terça-feira, maio 25, 2010
Último romance

Um dia desses estava escorado na janela de um hotel qualquer quando uma libélula pousou a poucos centímetros do meu braço. Na hora, eu não sabia ao certo se aquilo era uma libélula, ou uma cigarra, ou um inseto gigante qualquer. Nunca soube, e os poucos segundos que perdi tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse. Bateu asas e escafedeu-se entre as árvores.
Eu tenho uma ligação especial com libélulas. Foi correndo atrás de uma que eu me estabaquei no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não me matou. Tinha cinco anos e, desde então, convivo com uma cicatriz que me atravessa o abdome, lado a lado. Tudo que eu queria era vê-la de perto, justamente para me certificar se o bicho em questão era cigarra, libélula ou “seja-lá-o-que-fosse”.
Se a necessidade de classificar uma libélula me rendeu duas semanas de internação, imagino o que me aconteceria se eu ficasse tentando classificar meus sentimentos. Inclusive, me cansa ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro. Se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo… Não tenho a mínima idéia, e nem quero ter! São inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável pode resultar em muito mais do que um baço perfurado.
Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o seu último romance.
Hoje o tempo voa, amor
E escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir! ♫
O amor é uma libélula que pousa na nossa janela pouquíssimas vezes. Corra atrás da sua libélula, sem medo de se machucar. Viva o seu romance. Viva o seu último romance."








